
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Vamos para a Capadócia?

quinta-feira, 27 de agosto de 2009
ser pessoa
Hoje é dia de ser pessoa.Ser pessoa é ser no tempo das paisagens, artesão de cores de gente-luz.
Ser pessoa é ser encanto encontrando em contrastes paisagens em passagens de música cor e laço que entrelaçam no olhar a linha da pulsação do sentimento.
Hoje é dia de caminho do coração que conduz cultura e memória para onde mora o momento único no tempo que tem ao mesmo tempo todos os tempos.
Ser pessoa é ser paisagem povoada paisagem solitária presença que quando ausente é sempre presente.
Ser pessoa é ser caminho de terra água ar fogo lua e sol materializado em passos e mistérios que se descortinam por dentro no percurso do viver.
Ser pessoa é querer povoar espaços habitar navegar caminhar unir tecer cores amores formas texturas afetos sabores odores aromas frescores e melodias.
Ser pessoa é ser tradução de experimentar ser no mundo humano
viver crescer aprender para ser
pessoa.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Tempo presente

Quase sempre é um desassossego, essa busca mundana pelo fundamental da vida que se esconde.
Algumas vezes é equívoco: situamo-nos como passageiros da vida dos outros.
Muitas vezes é atropelo e decepção: buscamos por fora o que só tem por dentro.
Outras vezes é fuga e mistura: passado e futuro furtando o momento, pensamento escorregando, viajando, fugindo de desfrutar o agora.
O maior presente do tempo é o tempo presente.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Para habitar um lugar profundo

Portanto seja vigilante.
Para habitar um lugar profundo,
você precisará nadar contra a corrente.
Sem pressa e com persistência.
Portanto caminhe.
Um segredo te espera.
Caminho: aceitar desertos e povoar vazios.
Obstáculo:um por quê sem resposta.
Habite os por quês.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Rap e gênero por uma cultura de paz
Ano passado participei do programa Por Uma Cultura de Paz, da rádio universitária, conduzido por um ser lindo, chamado Marta Aurélia. Na ocasião estava divulgando o lançamento do meu livro “Pulsão Irrefreável – Arte Contemporânea no Feminino” e tivemos uma conversa maravilhosa sobre a questão de gênero nas artes visuais e na sociedade.
Hoje participarei novamente do programa, dessa vez num bate papo interessantíssimo com as rappers integrantes do grupo Mira que fazem parte do Movimento Hip Hop Organizado do Brasil, o MH2O ( http://comunidadehiphop2.zip.net/ ): Fabiana Carvalho, Ana Cristina Sousa, Onara Inácio e Gécyca Lima. “MIRA, além de carregar os significados imediatos registrados em dicionários, aqui é uma sigla que significa Mulheres Informadas Revolucionárias e com Atitude. Feministas, as garotas têm a palavra como meio de atuação artística e conquista de espaço e direitos, especialmente no próprio movimento hip hop”(texto de divulgação do programa).
O programa Por Uma Cultura de Paz vai ao ar às 15 horas, transmitido pela rádio universitária.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Vida acontecendo

Fui brincar de viver.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Marina

Observando a desordem generalizada no país que a terrível mescla de economia neoliberal e política idem faz transbordar para nós, de vez em quando invade meu imaginário um tipo de vislumbre-pesadelo.
Caminho, caminho e os pés ardem de tanto pisar no árduo chão. Deserto. Tudo é uma secura só. A vida agora é busca incessante por umidade nos emaranhados de ranhuras da Terra. Tenho sede e sinto saudade do colorido verde, do aconchego sombra, da carícia brisa e do encantado canto dos pássaros que costumavam pousar por aqui.
Mas de repente acordo em outro lugar e percebo que fui fisgada por novos vislumbres. Meu coração, o do pulsar coletivo, bate inquieto. Começou a esperançar novamente. Que ritmo é esse? Ah, é como a semente rompendo invólucros barreiras obstáculos e crescendo, crescendo, criando alicerce firmeza estrutura, é movimento-raiz, é movimento-árvore, movimento-sonho, movimento-menino, movimento-sensibilidade, movimento-vida, movimento que multiplica movimento e faz do um muitos seres sementes brotando crescendo florescendo rios conchas mares vôos borboletas cascatas fres-cores beija-flores na alegria de ser natureza.
Coração acelerado para acreditar no sonho coletivo, Marina, sou mais uma pessoa tocada pela emoção do anúncio da tua possível candidatura para a Presidência da República.
Sonhando que assim seja.
Um abraço.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Te perturba esse amor?
Meu querer é forte e agora me coloquei neste desafio de abrir novamente o coração para você, procurando afastar as amarras criadas e grudadas na tola imagem ideal que fiz de ti, você não é desse tipo que se lançará em meus braços, então vou já corrigindo a expectativa, melhor, vou engavetar esse universo de sonhos que teci para nós dois. Quero você possível no meu sentimento e isso significar aceitar você como você é. Não é fácil pra mim, como você, romantizo muito a vida. No possível de ti, doeu você não querer me ver no domingo. Que idéia boba foi aquela de ficar trancado em um quarto de hotel escrevendo discursos? Hoje é o dia que você irá apresentá-los não é? Espero que pelo menos tenham te agradado. Mas não fujamos mais de nós, nossa história ainda é possível. Como na música que você gravou pra mim há duas décadas, ainda no tempo da fita k7, creio que não cabe mais a pergunta ¿Te molesta mi amor? Mas, na mesma força da música, vamos criar um destino apto a tornar nosso amor maior e melhor.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
O que vejo hoje?

Um começar que indaga: o que vejo hoje?
Alegoria da Caverna, Matrix , Ensaio sobre a Cegueira, “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”, nos aconselha o Livro dos Conselhos. Quantos já falaram, anunciaram, avisaram que estamos cegando, míopes ainda ou já completamente cegos? Em cegueiras escuras ou leitosas andamos a nos arranhar e esbarramos pelo caminho.
Filosofia chinesa, yin e yang, taoísmo, Heráclito, Pascal, Buda, Kant, Leibniz, Spinoza, Marx, Jesus Cristo, Joseph Campbell, Freud, Edgar Morin (esse rol está longe de ser exaustivo), os aqui citados e tantos outros seguem anunciando sentidos, lançando luzes em nossas cavernas e quais as lentes que escolhemos? Normalmente uma que nos permite ver apenas um quadradinho bem pequenininho: a lente do consumo.
Essa é a lógica do saber reducionista, que, por exemplo, isola as emoções do trabalho científico e fomenta um olhar de consumo irresponsável, faz criar um sentido de realidade baseado no dinheiro e no poder como os caminhos que nos conduzirão para o encontro com a felicidade.
A fragmentação do olhar impede de ver a linha que costura os sentidos no tecido de nossa vida. A realidade mutilada cria a ilusão de que estamos mais lúcidos, enquanto cegamos para uma visão sistêmica da existência.
Falar em refugiados ambientais não é novidade para os brasileiros, principalmente para quem nasceu e teve que lidar com a realidade do sertão nordestino. Mas o que está acontecendo um pouco distante de nós, com os habitantes do Atol de Carteret é um anúncio do que está por vir em proporções bem maiores. Durante décadas a população residente lutou contra as águas que subiam e engoliam devagar a vegetação e as casas dos moradores. Agora, não tem mais como administrar o resultado do aquecimento global, das alterações climáticas. A única solução é ir embora enquanto é tempo.
Quantos desertos teremos que atravessar para ver o óbvio? Quantas enchentes teremos que enfrentar? O quanto a lógica do consumo tapa a nossa visão e sabota a nossa sensibilidade? Se nos embrutecemos, como, realmente, viveremos? Não tem saída: a humanização das relações sociais passa pela sensibilidade de um olhar que perceba que os fios de nossas construções, as linhas que utilizamos para construir nosso conhecimento, nossa vida, nossa história, deveriam servir para construir um olhar apto para traçar uma trajetória a nos enlaçar uns com os outros pelas linhas do afeto e conduzir também para uma relação afetuosa com o planeta que nos abriga.
Obs: O Atol de Carteret forma um conjunto de seis ilhas pertencentes a Papua-Nova Guiné. Os 2.600 habitantes do atol deverão ser retirados do local, (a transferência das famílias já começou) pois a previsão é que em 2015 o atol estará totalmente submerso.
Imagem: filme “Blindness”, com direção de Fernando Meirelles e baseado no livro “Ensaio sobre a cegueira”, de José Saramago.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Em cumplicidade com a Lua

A Lua estava linda, poderosa, clareando a noite.
Os estudantes passavam por mim apressados, como de vez em quando parece passar o tempo que eu quero agarrar, como o tempo daquele momento em cumplicidade com a Lua. Ninguém parecia perceber a presença da Lua iluminando nossas histórias. Sempre me surpreendo porque as pessoas não prestam atenção em como é bonito olhar para o alto, ver o movimento constante da vida. Ver o sol dissolver as sombras da noite, sentir o poder do sol aquecendo o dia, ver as cores únicas aquarelando o céu de turquesa, laranja e rosa quando o astro-rei se despede para iluminar outros cantos do mundo. Também ver as luzes da noite, a Lua, as estrelas. Vi a Lua atravessando signos, percorrendo planetas, alterando humores, percepções, como é magnética a Lua! eleva o nível das águas, o tempo muda, nascem mais bebês na Lua Cheia.
- Profeeeessooooora, tá na hora da aula!
Um beijo carinhoso para você.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
O desafio da complexidade na sala de aula
Sei que não é fácil colocar um questionamento mais incisivo sobre nossos padrões de pensamento, afinal nós estamos acostumados com eles, é familiar, é cômodo!!! Fiquei falando um tempão sobre como a herança cartesiana nos tributou um modo específico para pensar e incentiva em nós uma visão passiva do mundo, esperando receitas prontas. Queremos respostas definitivas. Isso é cômodo, aparentemente facilita nossa vida, mas é importante atentar: também nos limita. Instiguei os integrantes da turma:
- Queremos limitar nosso processo de conhecimento ou queremos abrir novas possibilidades de sentido, desafios e motivações para o nosso pensar?
Argumentei que nesse sentido, a complexidade trata justamente daquilo que o pensamento mutilante não alcança. Edgar Morin alerta que, “se tentamos pensar no fato de que somos seres ao mesmo tempo físicos, biológicos, sociais, culturais, psíquicos e espirituais, é evidente que a complexidade é aquilo que tenta conceber a articulação, a identidade e a diferença de todos esses aspectos, enquanto o pensamento simplificante separa esses diferentes aspectos, ou unifica-os por uma redução mutilante.”
Que tal dar uma chance para pensar relacionalmente? Ter uma percepção de si e do mundo mais integradora?
Ontem, no final da aula, um aluno questionou se minhas aulas seriam “sempre daquele jeito”, pois ele não tinha “entendido nada”. Imediatamente pensei: lógico que não! Em seu questionamento, ele buscava respostas conclusivas no final da aula, queria levar conceitos prontos. Expliquei para ele que essa é a herança cartesiana, coloca a realidade numa fôrma, que o pensamento complexo sugere um método mais abrangente de leitura de mundo e que ele, instigado pelos questionamentos na sala de aula, poderia refletir melhor sobre seu próprio mundo e por esse percurso criar sentidos, perceber novos horizontes.
Pelo semblante, não gostou da minha resposta. Vamos ver o que acontece durante o semestre.
Abraços a todos.
