terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Bonito de ver


Minha prima vai casar e é bonito de ver a felicidade saltitando pela casa. Dá vontade de sair saltitando também, pegar um guarda-chuva e dar uma de Gene Kelly Singin'in the Rain; ou quem sabe usar o mesmo guarda-chuva para flutuar como a Mary Poppins; ou ainda seguir cantando e correndo pelos campos verdejantes com um sorriso escancarado tal qual a Julie Andrews, a noviça nem tão rebelde assim. Ops, esqueci que ser feliz assim é piegas, mas com o tempo a gente não liga mais pra essas coisas. A gente dá risada dos amargos conceitos dos eternos críticos ácidos de plantão. Lógico que tem dias que fico triste e o mundo é confuso demais e você não consegue entender as brutalidades ínfimas e gigantescas que o ser humano é capaz de cometer. Só que quando a energia está favorável pra ser feliz eu aproveito. Fico feliz que só vendo! Nem preciso sair pulando nas poças d’água. Fico feliz com um café fumegando, sanduíche de queijo, uma manga tenra ou se quiser incrementar, um quiche de cogumelos, chocolate com amêndoas e sorvete de tangerina. Fico feliz quando encontro um livro que transporta mistérios, quando um filme consegue me arrebatar ou quando vejo alguém genuinamente feliz com o que é simples na vida. Quando isso acontece sei que estou diante de um sábio. Fico muito feliz quando vou almoçar na casa de minha mãe e sempre encontro um pouco de minhas ancestralidades ocultas. Fico feliz quando consigo servir. Ultimamente, entretanto, o que me faz mais feliz é chegar em casa. Por que vejo os pastores alegres e saudáveis e principalmente porque meu amor está lá para me receber. A felicidade anda mesmo saltitando pela casa, cantando na chuva e ouvindo o som da música única no mundo.


Imagem: Julie Andrews, a noviça rebelde.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Quando eu aprendi a dizer adeus


Uma luz vem banhar minha tarde e com ela a memória do que vi e senti. As lembranças provocam chuva em meus olhos. Água boa, que irriga o solo do caminho. O mesmo solo que já foi enchente e secura aprendeu a ser poesia.

Na chuva do agora vejo como naveguei nas águas de minha vida sem saber aportar. Sem saber desatar os nós cegos é difícil aprender a fazer os bons laços. O percurso foi aprendizado duro e sofrido. Foi isso que a estrada da vida me trouxe. Tive que ter força para atravessar a aridez do caminho ou a enchente do mar vermelho que fez meu coração parar e quase me levou embora. Doeu muito ver luzes em tetos de hospitais. Doeu ver os pedaços de mim pelo chão enquanto eu tinha que continuar o caminho. Eu tinha que continuar ! Tive que encontrar luminescências para caminhar em dias nebulosos e também tive que aprender a dizer adeus, porque na vida temos que nos despedir para poder reconhecer a chegada de quem tem que vir, para acolher e abraçar quem vem para ficar.

Quando eu aprendi a dizer adeus soube que você chegaria. Quando eu aprendi a dizer adeus uma semente em mim nasceu com o nome de rosa. Essa rosa é a luz que nos deu as mãos, caminha conosco e tece o laço maior da vida, o primeiríssimo elã de tudo: o amor. É esse amor que lava meus olhos, irriga meu solo e faz florescer um jardim que ficou muito mais colorido depois que eu aprendi a dizer adeus. Foi aprendendo a dizer adeus que te vi chegar e é com todo o amor que te recebo e te beijo.


imagem: padmé e anakin em star wars

sábado, 12 de dezembro de 2009

(So) Frida: a dor na vida e na arte de Frida Kahlo


Luana é aluna da Fanor do curso de fisioterapia e é fascinada pelos mistérios da dor. Foi durante a disciplina de clinica da dor que Luana conheceu a história de Frida Kahlo. Encantada com a intensidade retratada nas obras de Frida, Luana resolveu mergulhar nesse universo. E decidiu que a dor na obra e na vida de Frida Kahlo seria o tema do seu trabalho de conclusão de curso.

Criou-se um conflito. Quem orientaria Luana? Bruno, o coordenador do curso, lembrou que no ano passado assistiu a uma palestra minha sobre as mulheres e a arte. E foi assim que Luana se tornou minha orientanda. Ontem foi a apresentação do trabalho e foi muito tocante, emocionante. Luana conseguiu ter sensibilidade e disciplina para abordar o tema, inclusive os aspectos da vida de Frida relacionados ao rompimento com as convenções. Frida expôs a própria dor em suas obras e participou politicamente da sociedade. Assumiu posturas diferenciadas, vestiu-se com roupas masculinas, ou com os trajes típicos de sua região, as vestes tehuana. Participava intensamente dos movimentos políticos, lutava pela consciência nacional mexicana, pela arte mexicana independente. Levantava a bandeira do partido comunista, aliou-se a Trostsky.

Entretanto, existem dois marcos na obra de Frida Kahlo: a dor, as seqüelas físicas do acidente que sofreu quando tinha dezoito anos e as angústias do amor intenso por um conquistador irrefreável, como era o muralista mexicano Diego Rivera. Frida representava suas dores com toda a crueza que sua arte permitia. Vísceras, sangue, pedaços dos filhos mortos, as dores físicas e simbólicas foram escancaradas na obra de Frida Kahlo.

Parabéns pra Luana.

Foi uma alegria pra mim ser orientadora deste trabalho.


Imagem: obra de Frida Kahlo, "a coluna partida".

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Encontro-jardim


Com você é encontro-jardim.

Dos silêncios surgem perfumes.

Das palavras fluem poéticas.

Flores flores flores em todas as cores.

A vida brilha com o toque do amor.


sequencia de imagens: padmé e anakin em star wars

Encontro


Percebi minha mudez quando diante de ti minhas armas caíram.

Silêncio


Durante muito tempo fui silêncio.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Para o meu amor


Passos.

Pelo caminho.

Segui.


Bailarina e

dancei,

um solo.


Procurando.

Esperando.

Finalmente encontrando.


(A delicada freqüência)


do amor.


Uma tessitura.

Uma narrativa.

Uma história.


Eu e você.

Mãos enlaçadas.


Tanto

que tive amnésias.


Esqueci os solos.

Agora só sei dançar enamorada.



Imagem: cena do filme "diário de uma paixão"