
As horas passaram como sempre passam. O tempo humano inventado para as horas, os minutos, segundos e dias segue, disciplinada e constantemente, seu percurso. O tempo das horas segundos minutos passa por mim e eu estou passando pelo tempo, mas o que passa por mim que eu deveria agarrar? O que passa por mim e eu deveria deixar ir embora?
Joana olhou para o relógio: faltam ainda três horas para o sol nascer.
Observando o movimento dos ponteiros, Joana espera alguma luz, alguma definição, direcionamento, algum caminho, alguma certeza em suas escolhas.
Em seus pensamentos, acorre um fluxo de imagens e junto delas, um jorro de sentimentos. Do encontro entre pensamentos e sentimentos surgem caminhos. Cada passo desenha um destino. Caminhando pela estrada da vida ela encontrou diversas encruzilhadas, e nesse momento tinha que decidir entre uma estrada e outra.
Ela obedeceu ao caminho do sentimento, e permaneceu firme em seus passos. Mesmo assim, ainda era confuso, pois mais na frente ela percebeu que até os sentimentos estavam divididos, e foi então que, caminhando pela estrada escolhida, Joana encontrou uma nova encruzilhada.
Um sentimento queria percorrer a estrada conhecida, buscava a sombra, o prazer, a emoção de um amor que nunca se fará inteiro e que portanto, nunca será amor.
O outro sentimento clamava pelos mistérios do movimento, por algum segredo que possa ser desvendado e que, ao ser conhecido, se revele inteiro e verdadeiro. Essa estrada é desconhecida e portanto, insegura.
Olhou para a estrada do primeiro sentimento com um olhar de acúmulo. Respirou profundo.
Seguiu pela estrada do segundo sentimento.
Sabia que as estradas guardam segredos e decidiu encontrá-los. Instintivamente procurou subir. Percorreu serras, montanhas e picos. Dirigiu por mais de três horas, subindo, subindo e parou o carro no mesmo momento que seus olhos presenciaram o nascimento da luz do dia.
Começou a caminhada, os passos sempre a subir. Seguindo seu coração, percebia que o caminho da estrada escolhida pelo segundo sentimento apresentava divisões e bifurcações. Cada direção é uma escolha e cada escolha determina futuros. Caminhava e escolhia cada trilha, cada atalho. Seus passos promoviam um farfalhar de folhagens, seus olhos viam frondosas árvores, flores desconhecidas, borboletas multicoloridas pousando em seus ombros, pássaros exóticos e a luz do sol. Enquanto percorria a estrada aberta pelo segundo sentimento percebeu que alguns caminhos abertos em outros tempos, por outros sentimentos ou pensamentos, podem se reencontrar. Mas o encontro nunca é o mesmo, é sempre um outro caminho que será traçado.
Os passos de Joana eram passos de quem quer achar a verdade. A verdade das melodias. A verdade das embocaduras. A verdade das notas escondidas nas entrelinhas. A verdade camuflada no tempo pelas camadas de dor. A verdade de um espírito que se sabe eterno. A verdade dos caminhos. Para descobrir onde está a sua própria verdade, a sua própria vida, e realmente viver.
Então Joana viu um córrego, viu a água correr, viu a água cumprir seu percurso. Viu que ela era como a água, sempre caminhando, se desmoronando e se refazendo. Caminhou às margens da água corrente, acompanhou o riacho, entrou no riacho das águas que correm, buscando um sonho-verdade heraclitiano, uma iluminação maior, e sorriu bonito, sorriu aberto como uma criança sorri enquanto banhava-se nas águas do rio. Aquelas águas cicatrizaram todas as suas feridas. Sentiu e entendeu tudo, entendeu sua verdade, encontrou seu caminho. Voltou pela mesma estrada que veio e encontrou coisas na volta que não tinha visto na ida. Porque cada tempo é único, cada momento é único. No caminho de volta pra casa, encontrou uma Samaúma gigante, contemplou aquela árvore sagrada, a rainha da floresta, a mãe-das-árvores e sentiu que seu caminho estava ali, zelando pela natureza, levando o sentimento de amor que inundava seu coração para todos os caminhos que seguisse de agora em diante. Ouviu um estrondo, a terra tremeu e a Samaúma deu sua benção para todos os seres da natureza.
Enquanto voltava para o carro, encontrou um morador da serra, que perguntou:
- Está perdida, moça, sabe como voltar?
E Joana respondeu sorrindo:
- Sei moço, muito grata pela gentileza, mas eu me encontrei, meu amigo, eu me encontrei.
Joana olhou para o relógio: faltam ainda três horas para o sol nascer.
Observando o movimento dos ponteiros, Joana espera alguma luz, alguma definição, direcionamento, algum caminho, alguma certeza em suas escolhas.
Em seus pensamentos, acorre um fluxo de imagens e junto delas, um jorro de sentimentos. Do encontro entre pensamentos e sentimentos surgem caminhos. Cada passo desenha um destino. Caminhando pela estrada da vida ela encontrou diversas encruzilhadas, e nesse momento tinha que decidir entre uma estrada e outra.
Ela obedeceu ao caminho do sentimento, e permaneceu firme em seus passos. Mesmo assim, ainda era confuso, pois mais na frente ela percebeu que até os sentimentos estavam divididos, e foi então que, caminhando pela estrada escolhida, Joana encontrou uma nova encruzilhada.
Um sentimento queria percorrer a estrada conhecida, buscava a sombra, o prazer, a emoção de um amor que nunca se fará inteiro e que portanto, nunca será amor.
O outro sentimento clamava pelos mistérios do movimento, por algum segredo que possa ser desvendado e que, ao ser conhecido, se revele inteiro e verdadeiro. Essa estrada é desconhecida e portanto, insegura.
Olhou para a estrada do primeiro sentimento com um olhar de acúmulo. Respirou profundo.
Seguiu pela estrada do segundo sentimento.
Sabia que as estradas guardam segredos e decidiu encontrá-los. Instintivamente procurou subir. Percorreu serras, montanhas e picos. Dirigiu por mais de três horas, subindo, subindo e parou o carro no mesmo momento que seus olhos presenciaram o nascimento da luz do dia.
Começou a caminhada, os passos sempre a subir. Seguindo seu coração, percebia que o caminho da estrada escolhida pelo segundo sentimento apresentava divisões e bifurcações. Cada direção é uma escolha e cada escolha determina futuros. Caminhava e escolhia cada trilha, cada atalho. Seus passos promoviam um farfalhar de folhagens, seus olhos viam frondosas árvores, flores desconhecidas, borboletas multicoloridas pousando em seus ombros, pássaros exóticos e a luz do sol. Enquanto percorria a estrada aberta pelo segundo sentimento percebeu que alguns caminhos abertos em outros tempos, por outros sentimentos ou pensamentos, podem se reencontrar. Mas o encontro nunca é o mesmo, é sempre um outro caminho que será traçado.
Os passos de Joana eram passos de quem quer achar a verdade. A verdade das melodias. A verdade das embocaduras. A verdade das notas escondidas nas entrelinhas. A verdade camuflada no tempo pelas camadas de dor. A verdade de um espírito que se sabe eterno. A verdade dos caminhos. Para descobrir onde está a sua própria verdade, a sua própria vida, e realmente viver.
Então Joana viu um córrego, viu a água correr, viu a água cumprir seu percurso. Viu que ela era como a água, sempre caminhando, se desmoronando e se refazendo. Caminhou às margens da água corrente, acompanhou o riacho, entrou no riacho das águas que correm, buscando um sonho-verdade heraclitiano, uma iluminação maior, e sorriu bonito, sorriu aberto como uma criança sorri enquanto banhava-se nas águas do rio. Aquelas águas cicatrizaram todas as suas feridas. Sentiu e entendeu tudo, entendeu sua verdade, encontrou seu caminho. Voltou pela mesma estrada que veio e encontrou coisas na volta que não tinha visto na ida. Porque cada tempo é único, cada momento é único. No caminho de volta pra casa, encontrou uma Samaúma gigante, contemplou aquela árvore sagrada, a rainha da floresta, a mãe-das-árvores e sentiu que seu caminho estava ali, zelando pela natureza, levando o sentimento de amor que inundava seu coração para todos os caminhos que seguisse de agora em diante. Ouviu um estrondo, a terra tremeu e a Samaúma deu sua benção para todos os seres da natureza.
Enquanto voltava para o carro, encontrou um morador da serra, que perguntou:
- Está perdida, moça, sabe como voltar?
E Joana respondeu sorrindo:
- Sei moço, muito grata pela gentileza, mas eu me encontrei, meu amigo, eu me encontrei.







