terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

condição de ser amor


as canetas que desenham as linhas da minha vida hoje escolheram cores e traços melancólicos. nada muito importante. sou apenas uma pessoa comum. tenho muito trabalho. contas a pagar. prazos a cumprir. tenho angústias com os rumos coletivos. tenho uma mãe maravilhosa. amigos maravilhosos. tudo está caminhando. provavelmente como deve ser. sinto amores e não sinto amores que gostaria de sentir. às vezes sinto que as coisas estão meio fora do lugar. tento trancar meu coração para quem me fez sofrer e tento não trancar para quem pode me fazer feliz. será possível, ser assim, objetiva? por uns dias senti até que meu coração batia diferente, estava menor, comportado, adequado, algo assim. mas não sei ser tão objetiva como deveria ser. não tem jeito: sou guiada pelo sentimento. o coração transborda e as cores das canetas que escrevem as linhas da vida impõem um olhar que mareja ao ver os livros encostados da clarice lispector, minhas telas coloridas e inacabadas, meu diário gráfico abandonado. o que eu espero? o que depende de mim? o que não depende de mim? de repente tudo parece ter parado no tempo. de repente lembro daquela história linda de amor que tinha tudo para acontecer mas não aconteceu, não aconteceu e meu coração volta a bater rasgando, caminhando com um sufocamento discreto, uma inadequação discreta que cresce assustadoramente de um minuto para o outro e os olhos voltam a chover e o coração sente novamente como dói amar assim como eu amei e pede e pede e pede um movimento diferente, um tempo diferente, que venha um amor de encontro, que eu ame, que me ame, que veja minha delicadeza, que não me faça cair de dor, que ande comigo, que venha com um tempo que não seja o do calendário, que as horas não sejam as do relógio... quero um tempo de natureza. quero um amor que chegue com o fôlego das estações e se renove eternamente. quero um amor que aceite simplesmente viver com todos os direitos, a condição de ser amor.
imagem: paulo amoreira

24 comentários:

Franzé Oliveira disse...

Suas palavras refletem o q penso. Ando nesse momento com esse sentimento. Suas palavras dizem aquilo que queria dizer. Brigado por dize-la. Encontrei abrigo. Bjos com carinho.

Ana Valeska disse...

Bj Franzé! vamos lá amigo, traçando nossas linhas da vida, que desejo, venham com movimentos mais poéticos para todos nós.

glória disse...

esse amor que aconteceu, acontece. existem amores que vivem no exílio, no silêncio, como se tivessem escolhido viver por dentro. Com certeza, uma mulher como você é muito amada. è que as vezes esse amor bate na nossa porta numa hora em que a maçaneta não consegue desenhar a abertura. amores que ouvem, simultaneamente, suas respirações, atrás de portas e janelas. entende? precisamos de um amor que dê passagem e faça brotar o encontro.acredite, amor vc. tem de muito. precisa de portas. bjs princesa.

genetticca disse...

Menina bonita.O día que chegue o amor verdadeiro você vae conhezer.
É tudo limpo e tranparente. Dentro du corpo ten o Universo enteiro,ama,e por ese amor proyecta a sua paixäo por cima de tudo e tudas as coisas.
Naô ten dúvidas,uma comuniäo de dois almas é coisa muito boa.
Mais näo esqueza que tamben ten dor,porque o amor de verdade é uma mixturacäo de as dois coisas.


Um bejo,e näo deixe de escrever,ese é outro jeito de amar.

Eduardo Matzembacher Frizzo disse...

Não sei direito como dizer, mas me sinto teu irmão na escrita. A tua dicção estranhamente parece com alguns verbos da minha dicção. E se isso não fosse regular, visto que todos lêem todos para poder ler o mundo, seria no mínimo assustador. Mas por quê não se deslumbrar com o mundo e imaginar impossíveis universos? Distantes de quaisquer regras ortográficas, somos isso que está aí: essa prosa poética se espalhando pela rede, corroendo monitores e camas, fazendo com que o Young reavive suas teorias, já que tudo isso me soa inconsciente coletivo demais... O que mais dizer? Volto ao início: me sinto teu irmão na escrita. Talvez ainda outra coisa inominável. Um beijo, moça.

Anônimo disse...

Lindo esse amor.
E as coisas não são objetivas,
a condição de ser amor.

bonito demais.

Ana Valeska disse...

é, Glorinha, foi só um desses dias mais sentimentais. Viver tem dessas coisas, né? bj minha flor.

Ana Valeska disse...

ai, Genetticca, eu quero a comunhão de almas que vc fala, sei que tem dor, mas que não venha com muita da próxima vez. Bj no coração.

Aline Lima disse...

Ana linda!

Compartilho desses desassossegos todos das pessoas que sentem por demais tudo. Também venho querendo um querer, um sentimento mais adequado, menos feroz (se é que essa é a palavra certa, rss!), mais tranquilo de se sentir, que não me tome dessa forma que até faz "chover os olhos", assim discretamente quando os pensamentos me suspendem da realidade momentânea.

Quanto ao amor. "Ai o amor"! Que as deusas - que entendem o "ser mulher" - nos dê "a sorte de um amor tranquilo".

No mais, para vc um amor bonito cultivado no melhor lugar desse meu coração. Acredite!

=*****

Joice Nunes disse...

valeska do meu coração, não sei se exatamente por estes seus motivos, mas eu estava me sentindo assim como você esses dias. conversei com a glória. disse a ela que era como uma coisa de querer viver o mundo todo e não conseguir. ela me entende. tu me entende também, tenho certeza disso. que bom encontrar gente nesse mundo que explode em toda alvorada. quero um dia poder te ver e selar o nosso encontro com um abraço bem apertado.
ah! outro dia um amigo meu, Márcio Caetano, viu meu blog e viu o link do seu. disse que é muito seu amigo. ô mundo pequeno, esse. um beijo

Ana Valeska disse...

Oh, Aline linda, que tem um lugar bem especial pra ti nesse meu coração tb. E tá chegando o aniversário, né?
Bj.

Ana Valeska disse...

Eita, Joice, que eu quero demais esse abraço! e tem um tempão que eu não vejo o Márcio Caetano! bateu a saudade!!!!

Anônimo disse...

Só pra dizer (jo)Ana, que, por vezes (e não são poucas!), também chove do lado de cá do meu coração.

Edlainne Pinheiro disse...

Concordo com o que disseram... não deixe de escrever, esse é outro jeito de amar... Tempos atrás me indentificaria perfeitamente com esse texto. Seus textos me inspiram... =)

beijos querida professora.

R.Vinicius disse...

Queria Ana, se me permite usar o querida, gostaria de extender essa laço de linhas e lhe dizer que és uma moça muito sensível. Sensível até corar o coração.

Abraço,

R.Vinicius

Eduardo Matzembacher Frizzo disse...

Já assistiu O Cheiro do Ralo? Dê uma olhada na minha crítica.

Eduardo Matzembacher Frizzo disse...

Não sei porquê, mas acho que, apesar de recém ter chegado em casa meio de trago, você gostará do meu post de hoje. Beijo.

Ana Valeska disse...

Bj grande, Vinícius, pode sim chamar de querida!!!!

Salete Maria disse...

Gostei do blog...muito interessante. Visite o meu tambem www.cordelirando.blogspot.com
bj
Salete Maria

Anônimo disse...

O amor ideal e o modo ideal do amor se aproximar, para além de serem coisas distintas, são ambas fruto de nossa imaginação...
... são como querer que a vida seja aquilo que nós queremos que a vida seja...
... e como o Universo é pleno de criatividade, tudo tende a ser e a apresentar-se de forma diversa daquela que sonhamos...
... quem sabe se o amor já não está ao seu lado, cruzando-se em seu caminho, desejoso por ser descoberto, mas temendo tantas espetativas?...
... somos transparentes: é isso que nos une e afasta...

Daniel Simões disse...

Ah, o amor, o amor!

Também eu estou carente desse amor, confesso.
Se ele não se me revelar genuino, prefiro ficar só até ao último momento de minha vida.
Mas como ficar só? Imensos irmãos partilham comigo o seu amor sincero e deveras comovente.

Com os votos de dias plenos de Amor e Alegria, Saúde e Sabedoria,

Daniel Simões

Anônimo disse...

Que bom ver em sua busca do amor verdadeiro na prática, no dar sem esperar receber, no dia a dia do supermercado. Sei que sabes agora, que o amor de letras e palavras, de papéis e bits tem seu valor, mais se perdem pelas traças e blogs da vez. Bom mesmo é amar o real. O virtual é virtuose da vaidade. Continue crescendo. Voce é linda.

daiana_luchini disse...

Sou apaixonada pelos seus textos!

Anônimo disse...

Aninha!

A vida são opostos em essência... nascimento e morte... dia e noite... Amor e Dor... Amar assim... intensamente é um privilégio de poucos...

Este dom nos oferece mais um oposto... o êxtase e a depressão absoluta. Preciso corrigir o POETINHA:

O verdadeiro amor é eterno enquanto duramos...