
Aqui é o céu. Aqui é o mar. Aqui pode ser também lua, estrelas, árvore, floresta, casa, a minha casa, ou talvez aqui pode ser a tua casa. Aqui podem ser os olhos do ser amado ou as palavras de uma poesia. Aqui pode ser um filme de amor, ou um sorriso, quem sabe um retrato antigo, uma pintura, um espelho. Aqui pode ser você. Aqui pode ser uma coleção de cds, várias borboletas, uma revoada de pássaros, um lago, um parque, um sorvete de tapioca. Aqui pode ser criança, cachorro, gato, flor, espinho, rede na varanda, tinta, pincel. Aqui é verde, vermelho, azul, amarelo. Aqui é mistura de cor. Tudo pode ser aqui.
O agora pode ser alegria, encantamento, agora pode ser florescer de sentimento, agora pode ser luz, certeza de caminho, saudade. Agora pode ser o bem, a serenidade, o amor, o agora é o ser.
O aqui e o agora são sempre aqui e agora. Eles sempre são.
Meu aqui é sofá do escritório, computador, café preto e meu agora é pensamento nos percursos para encontrar o sentido da fenomenologia do espírito, de Hegel. Esse camarada andou escrevendo sobre o ser e o não-ser e são palavras que me enovelam, pois quero captar-lhes o sentido, como o pensamento sobre o sensível, que o que vemos, é, logo a seguir, o que não é. Se o “aqui” é flor, podemos, no momento seguinte, ter uma realidade completamente diferente, que ainda é “aqui”.
Aqui pode ser jardim ou pode ser deserto.
Hegel também andou falando da unidade dialética, do finito compreendido a partir de seu oposto, o infinito, o universal. Viajando pela dialética penso que estamos em um momento de negação e superação de uma determinada ordem. Com certeza estamos! Hoje participei da gravação do programa Viva, da Tv O Povo e lancei um comentário otimista sobre nosso futuro (apesar do tema ser o ano de 2012 e as teorias acerca do fim do mundo!) Sabemos que a humanidade anda infectada com uma severa crise de percepção, muito apegada com o modelo capitalista desenvolvimentista, apartada da natureza, iludida pelo espetáculo, pelo hedonismo, mas nosso momento de crise pode ser o fim de um ciclo e surge como uma oportunidade de superação. Estamos, creio, no ponto de mutação, na iminência da virada da onda.
E nesse agora que me habita me vejo aqui como a Terra. Sinto a Terra. A Terra sou eu, é a minha respiração, o meu olhar, a minha voz, tudo está entrelaçado no universo e eu ando pelo mundo prestando atenção em cores, unida a todos os seres que integram o universo, cada dia mais consciente que a música que escuto é a sinfonia da Terra e que sou um fio na grande rede da vida. O que quer que façamos à Terra, faremos a nós mesmos. Esse é o nosso aqui, o nosso agora.
Que seja tessitura boa, como jardim!
Nesse momento, o meu agora, o meu aqui, é o mundo.