quarta-feira, 9 de março de 2011

Para raros ou para todos?


Por aqui uma quarta feira de muita água levando as cinzas do carnaval. Momentos de reflexão, ações, planos, processos conclusos, recomeços. Promessa interna fervorosa de recomeçar uma rotina que não pode cair na mesmice. Senão perde a graça estarmos aqui. Lembro do saudoso Luis Alberto Warat que vez ou outra vem me visitar e sussurra mansamente as palavras: “precisamos de poesia para construir o caminho”. Viver com poesia recheando os passos dados, iluminando olhares, amparando as lágrimas, entrelaçando sorrisos. Para raros ou para todos?

Nesses dias demorei no que gosto de fazer, fiquei mergulhando no mundo das palavras de meus novos livros e fui espectadora de alguns filmes em cartaz nos cinemas, como “O Discurso do Rei” e “Cisne Negro”. Como já é hábito, teimei em conectar as duas narrativas. A do rei que busca vencer a gagueira e da bailarina que quer a perfeição. O rei reconhece as dificuldades, sofre com os obstáculos, chora, desespera, mas persiste e alcança o que quer. As dificuldades continuam a existir, mas são fantasmas que não assombram tanto quanto antes. A bailarina quer a perfeição, almeja ser mais do que humana, ultrapassa os limites, é tomada pela obsessão, os fantasmas invadem a realidade. A bailarina arrisca demais quando se desvincula de si mesma e cede completamente ao apelo das pressões externas.

Entre um resultado possível e um impossível fica a lição de que podemos alcançar nossos objetivos por mais que estes sejam “quase impossíveis”. Toda realidade começa no sonho, percorremos um caminho repleto de desafios para conquistar o que queremos. Volto à lição de Warat, de que a poesia é necessária para construir o caminho e passo a entender essa lição por uma nova perspectiva. A poesia do caminho significa estar conectado com quem você é. Para raros ou para todos?

5 comentários:

Daniel Simões disse...

Para todos... mas raros vão atrás das pistas que a sincronicidade universal oferece.

Bem Haja, Ana!

Myrlya disse...

Suas palavras trazem reflexão para um dia de cinzas... o que me lembra que a poesia pode nos levar à um mundo interior cheio do que somos realmente, cada vez mais renovados, como a fênix...
Que renove-se a voz, o corpo, a mente, o amor... e se espalhe, como cinzas ao vento...

pEdrooo disse...

muito bom seu comentaria, então voce indicaria pra assistir o Cisne negro ?

Ana Valeska Maia disse...

Não é um grande filme, mas é forte e possibilita uma reflexão interessante. A atuação da Natalie Portman está realmente excelente.

- Tinho' disse...

- É precisamos de pessoas assim positivistas e que sempre ver a vida com Amor, suas palavras nós mostra que nem tudo esta perdido, que carecemos de nós conectar com o mundo em que nós vivenciamos pois se nós que somos construtores desta nação não nos posicionarmos. O que será o futuro?. Mas é de suma importância que nós venhamos nos modificar primeiro pois o que adianta tentarmos modificar o mundo se nós mesmos não valorizamos tudo isso que o mundo nos propicia.