quarta-feira, 16 de março de 2011

A teia complexa da vida

Em nome do desenvolvimento a cidade de concreto engole árvores mais uma vez. A derrubada das árvores no terreno do cruzamento das avenidas Santos Dumont com Senador Virgílio Távora compõe o conjunto de cenas lamentáveis do filme que estamos cansados de assistir.

Mais um centro empresarial será construído, acompanhado de um discurso imediatista e hipócrita que menospreza os impactos ambientais e anuncia medidas compensatórias como se estas tivessem o condão de resolver os estragos causados pela ação humana. Não é assim. Vida não é mais um produto em série que pode ser substituído a qualquer momento por outro. Toda vida tem um sentido, realiza trocas com seu meio, influencia e ajuda a manter outras vidas, está interconectada com o fluxo da natureza, integra o equilíbrio ambiental. A teia da vida é complexa e precisamos aprender mais sobre os laços que nos entrelaçam.

A mentalidade que destrói a vida sem medir as consequências é uma marca da cultura de consumo que mantém a ordem existente. Somos herdeiros de uma visão antropocêntrica da existência, da mentalidade colonizada pelo modelo extrativista que cria uma falsa consciência nos seres humanos: a de que somos separados do mundo natural.

No dia 22 de março comemoraremos o Dia Mundial da Água. O tema da Campanha da Fraternidade 2011 trata do cuidado com a nossa casa maior, o lar que todas as espécies vivas compartilham: o planeta Terra. Uma oportunidade excelente para reconhecermos que somos filhos da Terra e que precisamos cuidar de nossa mãe e de nossos irmãos. Na atualidade o desafio não é somente a conquista do saber, mas o fundamental consiste em saber o que faremos com o que sabemos. Nossa relação com o mundo no século XXI precisa ser ecológica, é nossa única possibilidade para uma vida futura saudável. Uma existência ecológica administrada por uma humanidade conectada com a teia complexa da vida, que valoriza o pensar e que reaprende a valorizar o sentir.

(artigo publicado no jornal O Povo, edição de 14/03/2011)

3 comentários:

Daniel Simões disse...

Completa incoerência é eu encontrar irmãozinhos que vão à Amazônia, encontram lá áreas florestais completamente desvastadas pelos criadores de gado e depois chegam aqui a defender as fast-food. Isto faz-me questionar muita coisa sobre que futuro está reservado para a humanidade (e não só)!!!

Ana Valeska Maia disse...

Sei que não é fácil lidar com a subjetividade do outro Daniel, principalmente quando este outro discorda de nossas convicções. Mas o que aprendemos? que cada pessoa tem seu grau de percepção.

Ana Cristina Mendes disse...

A matéria ficou muito boa, aninha. Eu, ainda chorando comovida com essa trajédia... hoje o assunto maior do meu dia foi esse.

beijo de bons flúidos para uma boa semana!
a.