
Há uns dias vi uma moça linda agonizando com o coração exposto, músculo crescido, vermelho e vivo, estava pra fora do corpo, como se fosse uma fratura, como um osso quebrado do braço que rasga a pele, deslocado do lugar, como se um acidente tivesse rasgado seu peito e de repente a linda moça tivesse que suportar uma dor humanamente insuportável. Ela chorava, gritava, urrava, esperneava, agonizava. Estava sentada em um banco de praça com sua dor escancarada, pública, a face desfigurada pela boca aberta, gritando um grito bem lá de dentro, das entranhas, o coração pendurado pelo fio das artérias, sangue venoso circulando, bombeando aquela órgão ferido, machucado, banhado de lágrimas. As pessoas tentavam socorrê-la, chamaram um médico, examinaram a origem da dor, mas só conseguiram laudos técnicos incapazes de explicar porque doía daquele jeito, pois obviamente não é a técnica que explica esse tipo de situação da vida. Procuravam colocar o coração da garota no lugar, mas ali só o tempo pra emendar, eu pensei. Notei que ninguém entendia, eita povo incompetente, cegos pela técnica superficial que quer botar tudo no mesmo saco. Afastei todos, saiam daqui, vocês pioram a situação. Minha amiga, meu nome é Joana, pare agora de chorar e olhe por dentro de mim, veja meu coração, ele está igual ao seu e você vai ter que aprender a viver com as costuras, moça bonita, quem já ficou assim sabe que quando fratura e quebra desse jeito, a gente tem que se acostumar com o craquelado, mas o que hoje te fragiliza pode ser a tua fortaleza de amanhã, minha flor, viver assim não é para amadores, mas entenda você se permitiu viver de verdade, e isso é grandioso, apesar de uivar de dor você não desistiu de você mesma como tantos já fizeram, você é uma linda mulher e eu estarei sempre ao seu lado pra te apoiar, mesmo que você não me veja, eu estarei.

