terça-feira, 9 de junho de 2009

Joana flautista


Foi imensidão e claridade varrendo todas as sombras da noite. Quando seu olhar também se iluminou percebeu que a sala era enorme, arejada, com pé-direito alto, pintada de branco. Nela existiam dois janelões, com cerca de dois metros de altura cada. Uma cortina azul, no tom cerúleo, de um tecido bem leve, dialogava com o vento. A cada sopro, a cortina bailava. No centro da sala, um banco alto, de madeira antiga e estofado de veludo cor de vinho. A casa que Joana estava ficava em um lugar alto, montanhoso, pois da visão da janela ela conseguia avistar uma cidade na base da montanha.
Os janelões abertos de vez em quando deixavam soprar um vento mais forte. Joana gostava da intensidade do vento. Cada rajada chegava em seu corpo como uma carícia, como se o vento fosse seu amante. No embalo do encontro, Joana pegou sua flauta transversa e começou a tocar.

E nesse momento, ela percebeu que estava novamente no sonho.
No encontro do vento e da música, ela viu você.
Você estava lá.
Mas você não existe. Foi apenas o coração de Joana que te idealizou.
Quanto mais o vento de dentro, do sopro na flauta, se encontrava com o vento de fora, mais Joana compreendia que talvez fosse melhor para ela deixar de sonhar.

5 comentários:

Florêncio E. disse...

Quando eu era criança, uma época não tão distante,cismei de querer aprender a tocar flauta por causa de um menininho da escola, ele tocava e eu achava lindo.Quando finalmente aprendi as primeiras músicas a flauta quebrou e nunca mais toquei uma.Lendo sua história deu tanta saudade quando eu era molequinha, com uns dez anos de idade pensava que era flautista também.

Beijo Ana

Aline Lima disse...

Joana é linda e o vendo é um amante dos mais delicados. Qual era a música que ela tocava msm hein? =)

Beijos minha Ana!

glória disse...

que sonho Joana? Aquele que desenha nos intrestícios do dia sombras de mistério? Um o outro que produz clarões em meio a escuridão? As janelas abertas deixam sonhos navegar, transmudam personagens, fazem voar as cortinas e as esperanças.

bjs

Anônimo disse...

Joana você é “onda do mar do amor que” bate nas pessoas. Você é imensidão e claridade e não pode deixa de sonhar,isso seria muito trágico, não para, continua idealizando, quem sabe esta pessoa já exista, além de seus pensamentos e também idealiza você, acredite!!! “quem acredita sempre alcança”. Porque; “Se podemos sonhar, também podemos tornar nossos sonhos realidade.”
Beijos e boa sorte!!!

Eduardo Matzembacher Frizzo disse...

Como dizer quais são os ares de dentro e quais são os ares de fora? Como estabelecer um limite entre a incompreensão que carregamos desde sempre diante do mundo, das coisas e das pessoas e a raza compreensão que temos de nós próprios? Nada é redutível à palavra, ainda que a palavra seja a única coisa que temos. Bom seria se tivéssemos (e aqui falo por mim) talento para a música, essa linguagem universal que talvez ecoe para o cosmo a 9ª Sinfonia de Bethoven, vencendo os limites do vácuo e da própria impossibilidade do som se propagar no vácuo. Entretanto, se Joana está com a sua flauta, Joana não está apenas consigo: está acompanhada por toda a história e toda a linguagem que lhe transcendem e fazem com que ela, feita de sonho e realidade, seja justamente a música que ecoa do alto da montanha na qual está sua casa, fazendo companhia para as asas dos pássaros e para as asas dos sonhos e corações que todos os dias jorram da nossa boca. Um beijo.