quarta-feira, 13 de maio de 2009

Um Direito masculino?


Sei que o modo de pensar patriarcal ainda predomina em vários campos, principalmente nos que cultuam com mais apego a tradição e uma estrutura dogmática.
Por esses dias participei de um congresso jurídico. Costumo ter um olhar atento para as questões de gênero e percebi algo que é recorrente quando a questão remete ao “discurso do saber”. Das vinte palestras que integraram o evento, apenas uma foi proferida por uma mulher. Ontem, lendo um jornal local, vi a programação de um outro congresso jurídico. Novamente, apenas uma fala feminina.
Sou professora em um curso de direito e as presenças masculinas e femininas em sala de aula estão equilibradas. Percebi também, no folder que circulou no evento, que os cursos de direito são coordenados na maioria por mulheres.
Será, então, um mecanismo inconsciente que determina que na hora de selecionar quem tem a autoridade do discurso essa autoridade migre para a voz masculina? O quanto o nosso olhar está condicionado? O quanto ficou plantado em nós de um tempo que considerava que as mulheres possuíam faculdades apenas imitativas e que o ato de criar era exclusivamente masculino? Que o cérebro das mulheres era "pequeno, leve e com menor densidade"? Que uma mulher culta era uma aberração da natureza?

Falando com relação a todos os mecanismos inconscientes (e conscientes) com relação às minorias, quanto tempo ainda falta para que a igualdade seja uma realidade vivida?

8 comentários:

Eduardo Matzembacher Frizzo disse...

Olá moça. Primeiramente, gostaria de dizer que também sou professor de um Curso de Direito. Neste curso, no que pertine aos alunos, percebo a predominância total do sexo feminino. Entretanto, já no que diz respeito aos professores, existe a predominância do sexo masculino. Com relação ao poder da fala e ao como se fala, creio que ainda estamos arraigamos a um esteriótipo primevo que diz que a criação da mulher apenas pode se dar no âmbito biológico - ou seja: ser mãe. Quando a igualdade entre os sexos deixará de ser um mero discurso, não faço idéia, assim como não faço idéia de como ainda hoje alguns que discutem a diferença de concepções entre Direito Natural e Direito Positivo. Se tudo é questão de linguagem e portanto de criação humana frente ao todo intraduzível do mundo, das coisas e das pessoas, como podemos dizer que temos um Direito Natural e inalienável que carregamos conosco mesmo antes de nascer? Parece-me que as ciências, e especialmente o Direito por conta do formalismo exacerbado que lhe é caro, acabam por cair no deserto tecnicista que ainda acredita que a Fala do Pai, aqui para usar uma expressão freudiana, é aquela que dita as normas e portanto o próprio ensinamento. Que não nascemos iguais, isso é fato. Que não nascemos livres, isso é fato também. Mas também é fato que temos que resignificar todas essas questões a fim de legar a estas um sentido correlato ao próprio tempo em que vivemos, pois caso contrário cairemos em uma esquizofrenia que nos fará meros títeres de um sistema que há mais de dois séculos está claudicante. Daí a importância de pensar o Direito. Daí a importância de, além de saber operar os mecanismos técnicos próprios de um processo, por exemplo, sabermos que o conhecimento processual jamais é exaustivo porque não passa de um mero espelho da realidade. E se continuarmos vivendo essa realidade egotista e consumista sem nos darmos conta do quanto o sistema precisa de tanto lixo humano e material para se tornar saudável sem ao menos compreender essa realidade, essa dissonância entre as falas dos sexos jamais será dissolvida. Talvez os homens devessem ser um pouco mais femininos e as mulheres devessem ser um pouco mais masculinas. Ou talvez, para além dessa minha divagação, devêssemos assumir de vez aquilo que somos: entes intramundanos que tem o poder de compreender e interpretar para só então construir o que chamamos de mundo. Entretanto, antes de pensar existimos, e somente a partir disso é que o valor para as mulheres e a própria independência do sexo feminino poderá se dar de maneira cabal, pois muito embora muitas, a exemplo de você, pensem sobre isso, outras tantas continuam seguindo os ditames da Barbie e frequentando a faculdade (como vejo todas as noites) tão-somente para arranjar um namorado. Mas a revolução começa por aqui, ainda que o aqui seja mais questão de tempo do que de espaço (e sim, sou um heideggeriano com grandes nacos de Morin e Camus). Um beijo e até mais.

Paloma Flores disse...

No final das contas, vivemos mesmo em um mundo machista. Isso não é bom para nós, mulheres, mas, sem perceber, reforçamos ideias machistas em nosso comportamento (não que isso tenha a ver com o texto).
Fomos criadas e criamos em um mundo machista. Toda a sociedade foi estruturada nesses moldes. até na Índia, que possuía uma sociedade matriarcal antes da chegada dos ingleses, é o homem quem manda. Infelizmente.
Claro que esse padrões estão se alterando, mas duvido que alguma de nós vai ver a sociedade igualitária. Acredito que caminhamos para isso. (Tenho fé e esperança que sim). Mas também acho que ainda vai demorar um bocado até chegarmos lá...

glória disse...

imagina Valeska como tento, cotiidianamente, me equilibrar e tentar fincar novos marcos nessas diferenças. Mulher não rima com espaços formais de poder. Canso de estar abancada em mesas de abertura de Fóruns, simpósios, congressos na sua quase totalidade masculina sendo eu a únic reprsentante do sexo feminino. A forma como falo, sem pedir licença, sem ares de submissào, causa um certo desconforto algumas vezes. Ë preciso constituir falas capazes de afetar mentes e corações, permeadas por princípios também de compromiso e competência. Essa curiosa complexidade do gênero feminino que como diz Eduardo deve transitar. poderia me demorar bem mais, só que o tempo me chama.
até mais, bela.

Anderson disse...

Ana, você se candidatou à palestrante?

Franzé Oliveira disse...

Seu texto é coerente com a realidade. Tb me pergunto até quando poderemos levantar as questões de gênero em olhar nêutro? espero que em breve, viu? Bjos menina.

genetticca disse...

Acho que näo ten mulheres nas presidencias porque os homens ten medo da sua inteligencia. A mulher supera con muito todas as facultades dos homens, incluida a forza.
Mais o yin e yan säo mesmo para os dois.


Beijos

LorDy DeCo disse...

oi ana hehe nem gosto de te xamar de ana é valeska memso hsuahusha

pow eu curto muito suas aulas mas prefiria quando era ciÊncia politica e teoria do estado. hehe ai VAI DEMORAe UM POUCO VIU sobre essa iguladade que vc tanto fala infelizmente o ser humano as vezes consegue supera sua propia ignorancia , é triste mas é verdade so sei de uma coisa junte-se aos bons e sera um deles =D


by by adorei seu blogger vou estar aqui todo dia

Alcimária Paula disse...

Parabéns pelo artigo. Realmente há um inconsciente coletivo em nós mulheres de nos auto discriminarmos, o que chega a ser um absurdo, mas é fato... nós que educamos toda a sociedade machista, de uma maneira ou de outra somos responáveis pela nossa própria discriminação.

Alcimária, aluna do curso de Direito/Fanor

veja esse blog com temas relacionados artes e direito: www.valdecyalves.blogspot.com

felicidades