sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Sapato fechado


Hoje são pequenos desabafos.
Eu me angustio, confesso.
A vida nos obriga a enfrentar pequenos (de vez em quando grandes) golpes de brutalidade. Ou melhor, pisadas.
Hoje fiquei lembrando das palavras do Ernesto Che Guevara "O capitalismo é o genocida mais respeitado do mundo."
Eu me angustio com alguns pensamentos que me doeram hoje feito unha que encrava e faz inflamar a carne. Você caminha, por que dizem que você não tem tempo para parar, mas a dor vai ficando aguda e você começa a mancar e tem que trocar o sapato fechado por outro aberto, pé também precisa respirar.
Seu pé respira? Por onde você anda pisando com seus sapatos fechados?
Recebi o convite para a entrega do prêmio CNI SESI “Marcantônio Vilaça” artes plásticas 2009/10. Não fui. Disseram que foi uma festa de arromba, cheia de artistas, apresentação do Zeca Camargo, show do Fagner e coquetel farto, como “Fortaleza não costuma ver”. Pensei: ainda bem que não fui!. Sapato fechado.
Fico me perguntando por dentro por que entre os artistas não existe um questionamento mais fluido sobre os mecanismos de legitimação extremamente atrelados aos preceitos de mercado. Estão cegos? É lógico que são freqüentemente muito cruéis. Por que não questionam mais as regras? Isso me angustia profundamente. Sei que todos nós estamos (pouco ou muito) comprometidos com o sistema. Mas porque a boca fechada, meu povo? Li algo no livro do Cristóvão Tezza como “gado balançando a cabeça e contemplando”. É bom ter cuidado com as ilusões. O tecido é imbricado, e, às vezes, teu sapato pode pisar pesado demais, de uma maneira tão eficiente que até tua unha se acostuma e nem encrava mais. E a unha encravada, a dor, afinal, é necessária porque nos chama para a nossa humanidade.
Então lembrei dos golpes grandes, das dores desnecessárias porque exterminam a humanidade, das mulheres que morrem nos crime passionais, do consumo de crack crescendo, de Israel utilizando armas de fósforo contra a população de Gaza, (inventaram agora uma arma nova um tal de flechettes, que a minha unha lateja demais quando leio seus efeitos e não tenho força suficiente para descrever aqui). Lembrei dos arrepios que sinto quando vejo o Lula fazendo discurso do capital-extrema-direita (divisão esquerda-direita, coisa que o Brasil nem tem mais, tudo tão igual que dá calafrios) e tanta coisa que, por hoje, basta.
A hipocrisia se abancou sem dó nem piedade da carne das nossas unhas?
Dos artistas ao presidente, Che tem razão, afinal.
Que uma unha encrave, de vez em quando.

14 comentários:

zeroglota disse...

Muito bom seus textos, gostei e sempre que quiser ler algo expressivo te visitarei.

O prazer foi meu.

Ana Valeska disse...

Muito grata, fico feliz com tua visita.

Franzé Oliveira disse...

Diz Nietzsche, " a piedade é para os fracos, é deprimente. Enfraquece as paixões. Opõe-se completamente à lei da seleção natural. Ela luta ao lado dos condenados pela vida. Enchendo o mundo de pobreza".
A hipocrisia das pessoas e maledicências das mesmas me deixaram duro com a vida.
Cético.

Bjos com ternura e carinho.
Ps. Veja no fim do meu blog os clips da Banda Alfredo e os caras. Sou produtor dessa banda. Diga algo a respeito, viu?

Ana Valeska disse...

Mas eu penso que o sentir tem que ser intenso, inclusive com a dor do outro. E a seleção natural no capitalismo selvagem não é assim, tão natural....

Joice Nunes disse...

bom sentir tua rebeldia. o capitalismo faz calos nos meus pés todos os dias.
bom saber que tenho muitos pares dispostos a lutar por um outro mundo, de novos corações e mentes.
um beijo

Ana Valeska disse...

teço meus caminhos com esse ideal Joice. Bj no coração.

Ricardo Soares disse...

nossa! adorei esse seu post... enfim uma rebelde com causa ! questionar as regras do mercado, duvidar, sempre é salutar... de mais a mais perder um show de Fagner ( pausa pra o vômito) só pode fazer bem pra sua saúde...obrigado por prestigiar meu blog e me acompanhar...volte sempre... gostei do seu blog e estou te linkando...kiss

genetticca disse...

Que se pode fazer?
Si a carne dos homems torno-se
de aço?
Os neurônios apressados nas placentas do capitalismo.
A dor explodiendo nas caras dos meninos,ainda sem ter vivído. I nois? Que se pode fazer?
Eu día a día estou mais convulsionada é só me pergunto.
Ate cuando?

Ninguiem ten a resposta.
Só o tempo vae decidir quem säo as próximas víctimas.

Um bejo forte dessa espanhola que
ainda longe,fica perto do seu coraçäo.

Anônimo disse...

O sapato aperta,o calo é torturante, mas conseguimos prosseguir apesar das hipocrisias. Chutamos as pedras,desviamos o caminho,ecabamos encontrando a nossa tribo. A vida é fascinante. Te amo. A gabizinha manda um beijo.

Vera.

Ana Valeska disse...

Valeu Ricardo, tô sempre indo passear no teu blog.
Bj!

Ana Valeska disse...

Bjão Genetticca, Vera e Gaby.

Anônimo disse...

Dia a dia ando nas rua de este pais maravilhoso (as vezes não) olho as esquinas os predios as lojas caras as pessoas ostentosas os carros grandes demais, caros demais ocupando espacios.... as imabiliarias, negocios, academias, pobreza, miseria extrema e cada dia também penso em Che guevara, Tamara Bunke (tania la guerrillera) e milhares de homens e mulheres comuns que um dia deixaram seus hogares suas familias seguindo um ideal e tentando mudar o mundo, lutar pelos oprimidos pela América latina sabendo que no caminho da liderdade se triunfa ou se morre. Então o que vamos fazer???? como honrar as ideias, como solidarizarnos e comprometernos com essa liberdade pela qual tantos perderam a vida?
Do mundo do qual vim existe solidaridade, compromisso social luta contra o capitalismo e resistencia. Esse pais é Cuba. Muitos a condenam outros a aman posso dizer sem mascara nehuma que nos os cubanos ja uma vez tiramos os sapatos apertados, os saltos altos e os trocamos por fuzis. Não quero dizer que hoje 2009 a solução seja a luta armada mas qual é a opção melhor? ficar esperando? ver a injusticia. fechar os olhos e esperar, esperar o que?
sempre meche comigo quaqndo alguem cita o Che Guevara.
Hasta la victoria siempre!

daimon under disse...

.é sempre de uma perversa e necessária dureza perceber que o que devia ser delícia é-nos capa sobre ferida.

LorDy DeCo disse...

OLA VALESKA TUDO BOM =d SOU EU ANDRÉ DA FANOR TAMBEM TENHO UM BLOGGER SO É UM POUCO DIFERENTE DOS NORMAIS RSRSRS


MUITO BOM =d NAO SABIA QUE VC TAMBEM GOSTAVA DE DESABAFAR EM BLOGS TAMBEM HEHEHE TA LEGAU =D

XAU