quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Diante do medo


Há alguns dias a cidade vibrou no ritmo do medo. O cenário: greve da polícia, notícias de arrastões, comerciantes fechando portas, transeuntes em passos rápidos, motoristas acelerando seus automóveis. Pelo canal das redes sociais, jornais, TVs e bocas miúdas, as notícias percorriam céleres seu objetivo, anunciando a cidade sitiada, insegura, perigosa e afirmando nas linhas e entrelinhas a necessidade imperiosa do medo. Isso foi há pouco tempo e já é notícia velha, outros fatos já cobriram esse alvoroço, as vidas retornaram ao “normal”. No entanto, ainda penso neste acontecimento. Ele ainda reverbera em mim.  Fiquei refletindo sobre a fragilidade do sistema, como rapidamente tudo pode mudar e o medo imperar. Será que, como na cidade, diante do medo rapidamente fecharemos nossas portas internas? Sem lutar? Sem resistir? Crianças encolhidas atrás da porta em um quarto escuro?

3 comentários:

Cultura Fortaleza disse...

Esses acontecimentos também ainda reverberam em mim, mais isso já se descortinava a algum tempo, primeiro foi com a educação depois com a cultura e por fim, sé que este é o fim, com a segurança.
Cada dia que passa tenho mais dificuldade de entender essas “revoluções instantâneas”, essa efemeridade do homem que grita e cala tão rápido que não se sabe se aquilo foi realmente um grito.
A minha vida ainda não voltou ao normal, ainda estou gritando; fora medo, fora insegurança, fora descaso com a educação, fora ignorância cultural, fora as políticas megalomaníacas.

Só a luta , real, muda o mundo!
Che

Mateus Reis disse...

Excelente leitura. Nos faz que fato muitas vezes agimos como crianças encolhidas atrás da porta em um quarto escuro. E esta lembraça que um dia foi perdida desperta, através deste insight...

Aline Lima disse...

Será??? ;D