segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Quando eu aprendi a dizer adeus


Uma luz vem banhar minha tarde e com ela a memória do que vi e senti. As lembranças provocam chuva em meus olhos. Água boa, que irriga o solo do caminho. O mesmo solo que já foi enchente e secura aprendeu a ser poesia.

Na chuva do agora vejo como naveguei nas águas de minha vida sem saber aportar. Sem saber desatar os nós cegos é difícil aprender a fazer os bons laços. O percurso foi aprendizado duro e sofrido. Foi isso que a estrada da vida me trouxe. Tive que ter força para atravessar a aridez do caminho ou a enchente do mar vermelho que fez meu coração parar e quase me levou embora. Doeu muito ver luzes em tetos de hospitais. Doeu ver os pedaços de mim pelo chão enquanto eu tinha que continuar o caminho. Eu tinha que continuar ! Tive que encontrar luminescências para caminhar em dias nebulosos e também tive que aprender a dizer adeus, porque na vida temos que nos despedir para poder reconhecer a chegada de quem tem que vir, para acolher e abraçar quem vem para ficar.

Quando eu aprendi a dizer adeus soube que você chegaria. Quando eu aprendi a dizer adeus uma semente em mim nasceu com o nome de rosa. Essa rosa é a luz que nos deu as mãos, caminha conosco e tece o laço maior da vida, o primeiríssimo elã de tudo: o amor. É esse amor que lava meus olhos, irriga meu solo e faz florescer um jardim que ficou muito mais colorido depois que eu aprendi a dizer adeus. Foi aprendendo a dizer adeus que te vi chegar e é com todo o amor que te recebo e te beijo.


imagem: padmé e anakin em star wars

4 comentários:

A.Beheregaray disse...

Tirei uma frase linda do teu texto, e coloquei no meu blog.
Fiquei tocada.
Um beijo.

Ana Valeska Maia disse...

E eu fiquei honrada!
Grata Andréa.
Bjs.

Loel Mafor disse...

As guerras e conflitos deixam cicatrizes no corpo de todo guerreiro. Aprender a lidar com elas é quando dizemos esse adeus. Queria eu ter sido teu defensor antes e se utilizado do meu corpo como escudo para que as armas que te feriram acertassem a mim. Mas sei que assim como a borboleta fortalece as asas quando sai sozinha do casulo, você precisou fortalecer as suas. Seria muito egoísmo meu não te deixar fortalecer. O que foi vivido podia ser evitado mas foi necessário. Люблю тебя (Ya tebya liubliu).

Ana Valeska Maia disse...

Sim, meu anjo, foi necessário.
Tudo agora faz sentido.
Bjs no teu coração lindo!