sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Fonte de águas eternas


Lá, no território das fontes eternas, jorram águas cristalinas. Essas águas banham meu íntimo e transcendem todas as armadilhas que meu ego criou. Arranquei minhas vestes e me banhei nessas águas. Lavei cuidadosamente meus cabelos, toquei meu corpo com carinho e as marcas abertas, que ainda ardiam alguma dor, foram finalmente cicatrizadas. São agora apenas linhas gravadas na pele. Para que eu me lembre. Apenas isso. As linhas não são mais amarras e sinto-me completamente livre de seu peso. Prefiro transformar as linhas em um fio de Ariadne, que pode agora me conduzir pelo labirinto de mim mesma. O meu verdadeiro ser é a minha profundidade e nos meus subterrâneos encontrei fluidos mágicos que são as águas que brotam das fontes eternas. Eu precisei mergulhar intensamente, assumir o risco do mistério das profundezas para encontrar o melhor de mim. Entrar na concha, voltar ao ninho, banhar-me na fonte. Essa viagem causa medo, pois é uma viagem de retorno e para voltar, você terá que reviver tudo para se reconhecer sinceramente. É uma jornada de limpeza em que você abandona o que é desnecessário para sua evolução. O maior desafio colocado para o herói em sua jornada é o desafio do autoconhecimento. Somos todos heróis de nossas próprias vidas. Em algum momento sentiremos que apenas a nossa essência abriga a verdade. Não adianta ocultar essa busca com aparências, máscaras ou felicidades de superfície. Ainda somos mistério para nós mesmos, mas agora que as águas refrescaram minha memória, sei que o meu microcosmo traz a verdade universal e essa verdade jorra das fontes eternas. Essa verdade tem apenas um nome: amor. É o amor que vem lavar meus olhos que antes choviam e clarear minha consciência para sentir a imortalidade do meu ser que está sempre aprendendo caminhos e quanto mais o movimento do meu ser realizar avanços de percurso, quanto mais evoluir, mais estará próximo do retorno, pois passado e futuro acontecem ao mesmo tempo e evoluir pode significar retornar. Conectada com minha essência, aproveito para dizer o que talvez ainda não tenha te dito: eu amo você.
imagem: Antonio Canova, "Cupido e Psique"

3 comentários:

Sou o Mangue estou tentando sobreviver. disse...

Lindo, intenso muito mais que perfeito...
Suficiente para meu ser transbordar de insanidade.

Aline Lima disse...

ô Ana... que lindo texto!!! eu te adoro muito sabia? =D

Fernando Bacelar disse...

Lindo, tia Val. Lindo.
Também te amo!!!