domingo, 12 de junho de 2011

Passeando pela literatura feminina iraniana

Sempre busco a narrativa feminina para compreender fatos que geralmente são interpretados pelo olhar masculino. O programa Studio Viva, da TV O Povo, me pediu algumas dicas de literatura e imediatamente lembrei que um dos encontros mais fortes que tive ultimamente foi com a produção das escritoras iranianas, das quais destaco Azar Nafisi e Marjane Satrapi.

“Lendo Lolita em Teerã”, de Azar Nafisi e “Persépolis”, de Marjane Satrapi, lançam o foco no Irã e as consequências da Revolução Islâmica na vida dessas mulheres. A mudança forçada de hábitos, a forte coerção que atingia os comportamentos – por exemplo, o uso do véu, são situações destacadas nos relatos das duas autoras.

No livro de Azar Nafisi, oito mulheres se encontram secretamente, todas as quintas pela manhã, durante dois anos, para lerem obras de alguns escritores da literatura ocidental que estavam proibidos no país, como o clássico “As Mil e Uma Noites”, ou os livros de Jane Austen e a obra de Vladimir Nabokov, o autor de Lolita, que empresta o nome ao título do livro de Nafisi. A obra foi baseada em uma experiência real da autora, como professora em faculdades iranianas durantes o regime dos Aiatolás.

Nos quadrinhos “Persépolis” Marjane Satrapi é uma criança que vive intensamente as consequências da transição do regime dos Xás para o regime dos Aiatolás. Criada em uma família dotada de ideais democráticos, Satrapi estudava em uma escola mista de tradição francesa no Irã. Da noite para o dia vê sua vida mudar e deságua suas percepções em uma narrativa autobiográfica encantadora, com leveza e sem perder a força. A versão em desenho animado dos quadrinhos é uma dica extra que dou aos leitores do blog, tenho certeza de que vocês gostarão bastante.

Para as mulheres a Revolução Islâmica trouxe um peso significativo: adultério e prostituição eram castigados com apedrejamento até a morte – lembram, ainda na atualidade, da sentença de Sakineh Ashtiani? Além disso sua subjetividade era negada, escondiam os cabelos com a obrigatoriedade do véu, proibidas de usar maquiagem, segregadas no espaço público, enfim, arcaram com o ônus de se viver em um regime autoritário patriarcal que nega a possibilidade de escolha. Este é um ponto chave na escrita das duas autoras.

10 comentários:

Sérgio Costa disse...

Excelentes sugestões. A literatura do Oriente Médio é muito rica em densidade de experiências e ao tratar o sujeito como uma fronteira, um ser às vezes dividido pelo ímpeto de se libertar das imposições tradicionais dessas sociedades. Rica literatura, profunda experiência a dessas autoras e muitas outras. Outro autor do Oriente Médio que admiro muito e indico é o AMÓS OZ, escritor israelense de grande obra - tenho quase todos os livros dele e leio assiduamente. Recomendo!


Ah, dá uma passadinha no meu blog. Tô republicando uns textos antigos.

Um beijo!

Ana Valeska Maia disse...

Sérgio, eu também adoro Amós Oz!
Visitarei teu blog já já.

Sérgio Costa disse...

Sério??? Que ótimo, encontrei uma fã dele... vamos trocar umas figurinhas depois? :)

Ana Valeska Maia disse...

Vamos sim, bjs.

Anônimo disse...

Só você ANA VALESKA, poderia se lembrar dessas mulheres guerreiras e sofridas do Oriente Médio, cujo drama poucas pessoas conhece. parabéns pela postagem. Edilberto Nobre

Franzé Oliveira disse...

http://franzeoliveira.blogspot.com/2011/05/outros-e-eu.html

Claudia Sampaio disse...

Dicas maravilhosas. Só podiam parti de você...bjs querida.

Ana Valeska Maia disse...

Bom te ver por aqui Claudinha!

Katia disse...

Olá Ana Valeska. Meu nome é Katia e faço Pós Graduação em História da Arte e pesquiso o Corpo feminino na arte Contemporânea. Já fazem alguns dias que estou procurando o seu livro "Pulsão Irrefreável: arte contemporânea no feminino" em todas as livrarias da cidade, mas sem sucesso. Por favor, há algum lugar em que posso comprá-lo? Seu livro é fundamental para minha pesquisa.
Muito Obrigada.
katia.sa_moura@yahoo.com.br

Katia disse...

Olá Ana Valeska. Meu nome é Katia e faço Pós Graduação em História da Arte e pesquiso o Corpo feminino na arte Contemporânea. Já fazem alguns dias que estou procurando o seu livro "Pulsão Irrefreável: arte contemporânea no feminino" em todas as livrarias da cidade, mas sem sucesso. Por favor, há algum lugar em que posso comprá-lo? Seu livro é fundamental para minha pesquisa.
Muito Obrigada.
katia.sa_moura@yahoo.com.br