quinta-feira, 26 de maio de 2011

No silêncio das palavras


Ando caçando o silêncio.

Procurando abrigo no abraço do não proferido.

Nele encontro meu tempo.

Caço o silêncio como quem procura um tesouro. Cansei dos burburinhos, ruídos, opiniões, ecos, apelos de mídia, papéis sociais e micro explosões. Embrulha o estômago o jorro ininterrupto de atividades e os comandos em ação. A musculatura trava, o coração segue doído no ritmo da taquicardia. E preciso parir fôlego para sustentar o incômodo ao final da jornada diária – a angustiante sensação de que nunca dá tempo. Cansei. Quero o tempo do silêncio. Fazer brotar mundos novos. Sentir o enovelar das palavras: despudoradas, trocando fluidos, acasalando-se. Vivas, intensas na teia do silêncio, reinventam destinos e decretam: canse da rotina e case com as palavras. Agora, alvissareiras, autoconfiantes, anunciam o desenhar de novas estradas: dilatam o tempo, florescem jardins, triplicam as cores das asas das borboletas, pintam sorrisos, criam fontes de águas cristalinas em um lindo dia de sol. Flutuam como plumas que me abraçam macias e exibem a beleza do existir que habita na possibilidade de recomeçar.

8 comentários:

Sérgio Costa disse...

As palavras nos invadem como forças contumazes: estão sempre lá, querendo ser expulsas, expelidas, ditadas ou até mesmo acariciadas da melhor (ou pior) forma possível. Têm tanta vida quanto nós, tanta vitalidade quanto nosso coração que pulsa o tempo todo. Mas realmente precisamos aprender mais o valor do silêncio. Aprender com aquelas pessoas que nos ensinam que a linguagem do nosso corpo e de nossa alma silencia o estéril turbilhão das palavras.
Lindo texto, professora!

Elaine Sá disse...

Que lindo Ana! Devo dizer que concordo plenamente com suas palavras.Esse barulho todo,pessoas que falam demais,carros passando,máquinas funcionando...Nossa!Nessa confusão toda perdemos a oportunidade de ouvirmos o silêncio, e até a voz que clama do nosso interior. Existe algo mais prazeroso do que o barulho do vento?Ou então das gotas de chuva caindo sobre as folhas das arvores?
Eu adoro quando fica tudo em silêncio aqui em casa e fico a escutar o barulhinho que meu gato produz quando dorme,aquele ronronar. Dizem que eles produzem tal barulho quando estão relaxados,eu adoro!
Sim,o silêncio é vital em nossas vidas,pois o mesmo gera reflexões e das reflexões nascem as mudanças!


P.S:Márcia outro dia deu uma palestra lá na sala,e na conversa ela citou a maneira Valeskiana de ser, de ver alma até em baratas.Pois bem, fui falar que não só concordo,como não tenho coragem de matar nenhum ser vivo que seja( nem baratas rs) e os meninos puseram a falar que fui contaminada pela onda valeskiana também rs. Adoro!!

Bjos,flor!

Franzé Oliveira disse...

O ponto de partida
Assisto velhos filmes
Por um momento
Vejo longe, no passado
De nenhuma maneira ele é silencioso
Há confusão em mim
A busca pelo reconhecimento
Sou homem através do tempo
Para explicar os motivos
O contraste sem sentido
O jogo fácil torna-se perigoso
Julgar racionalmente por mim mesmo
Me fez adulto cedo
Libertando-se de uma força repressiva
Invisível, só sentida
Hoje, realidade nua

Ana Valeska Maia disse...

Sérgio você é um ser em movimento muito gentil.
Elaine, Marcia falou desse dia pra mim, demos algumas risadas.
Sabe, já estou com saudades de vocês. Você é muito linda, minha filha do coração.
Olá Franzé, bom te "ver" por aqui.

rosana disse...

Suas palavras me fazem um bem! Quando quero me refugiar nas palavras sempre venho por aqui!

Ana Valeska Maia disse...

Rosana, também vou no teu universo paralelo. Bjs.

Anônimo disse...

gostei do termo Valeskiana. Atenção mulheres, esse paradigma Valeskiana é um exemplo a ser seguido, exemplo de espiração para nova geração.
Talvez um dia eu seja um poeta, para transformar em versos o paradigma Valeskiana. Edilberto Nobre

Ana Valeska Maia disse...

Que lindo Edilberto!