quarta-feira, 16 de junho de 2010

Prefiro a copa das árvores

Hoje peço trégua. Clamo por passos mais cautelosos e momentos de parada. Respiro. Digo não. Concluo. Após dias de turbilhão passados e repassados grita meu eu interior e pede espaço. Viver é exercitar o sistema de freios e contrapesos, do contrário, o fluxo do sistemão capital corre solto por entre as veias e seus desvarios são ditadores ensandecidos. As ordens proferidas criam ilusões para nos modelarem como gado. Se deixar correr assim, conivente com os consensos, seguirei aos trancos e barrancos, ouvindo Lady GaGa, vestindo verde e amarelo durante a copa do mundo e abominando a imagem, o som e o figurino, quando todos fizerem o mesmo e a ordem do consumo precisar formatar outras opiniões para se manter forte e fazer crescer seu império. Na contramão do consenso, sou adepta de outra copa, prefiro observar o vento atuando na copa das árvores. Isso me faz mais próxima de mim, e sinto o sentido sagrado do ar, da água, do fogo, da terra. A verdade fundamental não se dá por uma primeira evidência. A profundidade está oculta e a natureza faz gol.

8 comentários:

Joice Nunes disse...

que lindo. sejamos sempre este contrapreso, contrasenso. é por isso que eu te admiro e te amo.

GUINA disse...

A ALMA

Digo, plenamente, que há uma flor invisível
no teu caminho e pelo teu caminhar floresce;
uma flor feita de pura luz que ninguém a vê
nem teus olhos, quando buscam esse mundo

Digo, ainda, que essa flor é linda como o Sol
e como é feita da força e da luz que nela há
digo que essa flor é tudo que tens e possuis
e dela nunca queiras, porventura, afastar-se

Digo, obviamente, que essa flor é verdadeira
embora impossível o simples olho enxertá-la
Mas, enfim, como a ti chegam estes versos

Digo, com a mais bela simplicidade de poeta
que essa flor é perfeita, esplêndida e formosa
E floresce nos tic-taques que teu coração toca.


Guina

Ana Valeska Maia disse...

Também te amo!!!!!

GUINA disse...

O MUNDO DA FOME

Essa fome que me estremece
Que me enche os olhos de pedras
E é tanta fome solta pela terra
Que no peito a dor me estremece.


A fome que por ser vizinha, cala
E a que por mim passa, não olha
Por já está solta e abandonada
Por estar presa à hora chegada.


Outra fome, também, cravada
É a que se tem na alma amarga
Dor que por nada se acha graça
Essa dor capaz de ver o mar
E não achar encanto nas águas.


A fome que há sobre tantas faces
Essa que morre e grita aos lotes
Uma que está perdida na África
E pelos Trópicos corre alucinada.


A fome que é do mundo, fabricada
Que em mísseis e bomba é lançada
Com tanta formalidade é fabricada
Que Hinos e Bandeiras são hasteados
Fardada e com continência calada
Que se espalha, salta de pára-quedas
E vira monumentos e pede aplausos.


Essa fome tanta, meu Deus, bélica
Que tem leis e ética, toga e decretos.
E outra, tísica, que vivendo secreta
Que mal fala, mal dorme, mal come
Espalhando terror sobre as cidades
E que enche Hospitais e que intimida
E tira nos dias o sossego das casas
E cresce e cresce em multiplicidades.


E como que vai enchendo as praças
Parece que vai tomando uma cidade
Com olhos frios e de longa espera
Essa, essa que nos certe e tem pressa
Que não sei como ambas se parecem


Uma, de sofisticada, desce e explode
E tanto explode quanto mais espalha
A outra, são os resquícios da miséria.

Guina
2010

Gabriela Sobreira disse...

Lembrei de uma aula tua, a que falava sobre máscaras, sobre o que as pessoas apresentam ser. E, depois da leitura de um texto, a pergunta:
"Vocês me acham utópica,né?"

Estarmos próximos de nós mesmos é aprender a conviver com as dores e alegrias,tais quais elas são de fato.
Custa sabedoria e saber sentir.
Para mim, isto é utopismo para quem é "conivente com os consensos".

Bom demais te ler!
Beijos!

Toni disse...

ah... ''Bom demais te ler!'' [2]

Steven Douglas disse...

ah... ''Bom demais te ler!'' [2]

Ana Valeska Maia disse...

Grata, amores.